Meta fecha acordo em processo sobre vício em redes sociais e evita julgamento, informa o New York Times
O acordo elimina uma fonte de surpresa jurídica, mas a Meta ainda carrega uma multa de US$ 25 bilhões por violação de privacidade e está vendendo ações ordinárias e preferenciais para financiar gastos recordes.
Meta fechou acordo no processo sobre vício em redes sociais antes que ele chegasse a um júri, informa o New York Times, tirando da pauta jurídica um caso cujo tamanho os investidores vinham tentando estimar. É uma redução real da incerteza. Também é uma redução pequena.
A exposição maior está em outro lugar. Um júri de Santa Fe considerou a Meta responsável em 25 de setembro por declarações enganosas sobre privacidade, e a multa foi fixada em US$ 25 bilhões em 1º de outubro. Resolver um caso não revela onde está o teto das obrigações da Meta.
Isso importa porque a Meta está pedindo aos investidores uma quantia enorme de uma só vez. A empresa planeja oferecer US$ 22,5 bilhões em ações ordinárias Classe A e pode vender até US$ 60 bilhões em ações Classe C, com a AMD entrando com US$ 1 bilhão. Morgan Stanley e Goldman Sachs estão subscrevendo 250 milhões de ações preferenciais representativas de depósito com dividendo de 6,50%, com mais 37,5 milhões disponíveis para os bancos em até 30 dias.
O mercado de títulos já registrou a tensão. Os credit default swaps da Meta com prazo de cinco anos chegaram a 114,5 pontos-base, o maior nível já registrado, segundo dados da Markit, à medida que a empresa elevou sua projeção de investimentos e recorreu mais intensamente à dívida e a novas ações para pagá-los. O lucro do terceiro trimestre, de US$ 7,40 por ação, superou as estimativas, mas a receita de US$ 64,60 bilhões ficou um pouco abaixo das projeções.
Assim, o acordo reduz a faixa de desfechos jurídicos sem alterar a conta que o mercado vem precificando desde a queda de 6% das ações: gastos recordes, um balanço esticado e condenações que ainda não foram pagas. Enquanto isso, a empresa cortou 15% do quadro de funcionários, chegando a 66.775 pessoas. Até que as condenações de US$ 25 bilhões sejam resolvidas, um julgamento evitado não vai mudar esse cálculo.
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