Rubio diz que discutiu com Lavrov uma reunião entre Trump e Putin na APEC
Uma data e um local dariam à diplomacia uma forma que ela não tem tido, mas Moscou, até agora, respondeu à marcação de datas com condições mais duras.
Marco Rubio diz que conversou com Sergei Lavrov sobre a organização de um encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin na cúpula da APEC do próximo mês. Se acontecer, isso daria à diplomacia algo que ela tem deixado a desejar: uma data e um local, em vez das ligações sem prazo definido e das viagens de enviados que marcaram outubro.
O histórico recomenda cautela. Segundo o Wall Street Journal, Putin pediu a Trump e a Xi um encontro a três, depois de semanas de conversas do Kremlin sobre uma cúpula trilateral que não resultou em nenhum acordo. Um convite para negociações presenciais com Volodymyr Zelenskiy não foi confirmado por Moscou, e o Kremlin afirmou que um encontro entre Putin e Zelensky só pode acontecer em Moscou.
Enquanto isso, os sinais de Washington têm apontado em direções diferentes. Em 12 de outubro, Trump afirmou que acredita que Putin está pronto para fechar um acordo, poucos dias depois de seus enviados dizerem a autoridades ucranianas, em Miami, que Putin não estava disposto a negociar. Trump também afirma que acredita que tanto Zelensky quanto Putin querem o fim da guerra, uma tese que seus enviados têm contestado em particular.
As condições de Moscou não mudaram. O Kremlin diz que quer um acordo de paz completo, e não um cessar-fogo, e sua exigência pelo restante de Donbas se mantém. Uma fonte próxima ao Kremlin afirmou que Putin só negociaria depois de garantir os 11% restantes da região. Em 27 de outubro, Putin falou em considerar o fim dos conflitos e a suspensão das sanções, mas Lavrov disse na mesma semana que a guerra vai continuar e provavelmente vai se intensificar.
Esse é o padrão: o avanço na marcação de datas tem andado junto com uma retórica russa mais dura e com ataques contínuos, e não no lugar deles. Conversas trilaterais em nível técnico estão previstas para o início de novembro, e elas dirão mais do que o anúncio da APEC. Uma cúpula com a qual Moscou não se comprometa, ou da qual participe sem recuar em Donbas, acrescentaria apenas uma foto e pouco mais que isso.
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