preços de importação da Alemanha sobem 8,3% em agosto, superando previsões
A aceleração ocorre com os rendimentos dos Bunds próximos de sua máxima desde 2009, e enquanto investidores aguardam dados de inflação da zona do euro nesta semana
Publicado
O índice de preços de importação da Alemanha subiu 1% em agosto ante julho, acima dos 0,7% esperados e bem à frente do resultado de 0,2% de julho. Na comparação anual, os preços subiram 8,3%, ante previsões de 8,0% e o ritmo de 6,8% de julho.
O resultado surge com os rendimentos dos títulos do governo alemão perto de máximas de vários anos. O rendimento do Bund de 10 anos tocou seu nível mais alto desde junho de 2009 em 28 de setembro, segundo a Trading Economics, que apontou os preços elevados de energia e sinais mais duros do banco central como fatores. O rendimento recuou levemente no dia seguinte, 29 de setembro, para 3,60%, ainda quase um ponto percentual acima do nível registrado um ano antes, segundo a Trading Economics.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, disse que a recente disparada da inflação ainda não produziu efeitos de segunda ordem significativos, uma avaliação que aponta para uma resposta de política mais comedida em vez de uma mudança abrupta, segundo a Trading Economics. Ainda assim, os mercados monetários precificam cerca de 100 pontos-base de aumentos de juros do BCE até o fim de 2027, com os dados de inflação da zona do euro previstos para mais tarde nesta semana vistos como mais decisivos para essa perspectiva do que os dados de preços de importação de quarta-feira, segundo a InvestingLive. Um comentarista citado pela InvestingLive disse que os preços de importação estão ganhando relevância à medida que um choque energético se propaga pelo cenário de inflação europeu.
O dado mais forte do que o esperado se soma à pressão inflacionária já visível no mercado de Bunds, onde os rendimentos vêm subindo em meio à expansão fiscal e à demanda mais fraca em leilões. Isso reforça a tese de que o BCE tem menos espaço para cortar juros e mantém firmes os rendimentos dos títulos da zona do euro, mas trata-se de um dado de inflação específico da Alemanha, sem repercussão direta sobre o CPI dos EUA, a trajetória de juros do Fed ou os resultados da SPY. Somado à turbulência política em Berlim e a medidas de alívio no imposto sobre combustíveis que atuam em sentido oposto sobre os preços domésticos, a divulgação não altera a perspectiva de curto prazo para as ações dos EUA, e a expectativa é que a SPY permaneça praticamente estável com a notícia.