Coreia do Norte nega que tropas tenham cruzado fronteira da DMZ e ameaça Seul por disputa sobre explosão de mina
Pyongyang chama de infundadas as conclusões de Seul sobre explosão de mina em 21 de setembro que feriu três soldados e alerta para desfecho "miserável e catastrófico"
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A agência de notícias estatal norte-coreana KCNA disse nesta terça-feira que suas tropas nunca cruzaram a linha de demarcação militar, como afirmou a Coreia do Sul, e que as barreiras que está construindo ao longo da fronteira são um exercício de soberania sem propósito militar. A agência classificou como infundada a investigação de Seul sobre uma explosão de mina na DMZ e advertiu que a Coreia do Sul poderia enfrentar uma posição "miserável e catastrófica".
A explosão ocorreu em 21 de setembro durante uma operação de reconhecimento sul-coreana no setor ocidental da DMZ, ferindo três soldados, dois deles gravemente, informou a Reuters. Em 28 de setembro, o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul disse ser altamente provável que minas norte-coreanas tenham causado a explosão, citando vestígios forenses de trinitrotolueno e material compatível com minas antipessoal norte-coreanas, segundo o The Korea Herald. Um dia depois, investigadores sul-coreanos recuperaram uma mina antipessoal de resina norte-coreana perto do local da explosão, informou a UPI.
No início deste mês, o deputado sul-coreano Yu Yong-weon disse que campos minados e outras instalações construídas pela Coreia do Norte cruzaram a linha de demarcação em cerca de 9 a 15 metros em seis locais no setor ocidental da DMZ, informou a NBC News. As forças norte-coreanas retomaram trabalhos de fortificação, incluindo colocação de minas e construção de cercas, a partir de março, segundo reportagens citadas pela NBC News. Uma disputa semelhante surgiu em 2015, quando dois soldados sul-coreanos ficaram feridos por uma mina terrestre que, segundo Seul, tropas norte-coreanas haviam cruzado a fronteira para plantar. Pyongyang negou o episódio na época também, e a Coreia do Sul respondeu retomando transmissões de alto-falantes através da fronteira, informou o The Japan Times.
A negativa de Pyongyang e sua ameaça de um desfecho "miserável e catastrófico" escalam a disputa em vez de resolvê-la, somando-se a uma série de provocações norte-coreanas neste mês que incluiu testes de armas e a rejeição de negociações com a Agência Internacional de Energia Atômica. A declaração também vem logo depois de o presidente Trump fazer comentários conciliatórios chamando Kim Jong Un de amigo que "vai ficar bem", ampliando o abismo entre o tom de Washington e a postura de Pyongyang em relação a Seul. Com Kim Yo Jong já tendo alertado que o Norte usaria "todas as opções" se provocado, o risco de novos incidentes na fronteira aumenta sem sinais de desescalada.