Flavio Bolsonaro chegou a Miami
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Flavio Bolsonaro desembarcou nos Estados Unidos na manhã de quarta-feira, pondo fim a dois dias de especulação sobre o paradeiro do candidato presidencial derrotado no Brasil.
Antes, as autoridades brasileiras cancelaram seus passaportes, e a liderança do Partido dos Trabalhadores de Lula na Câmara dos Deputados confirmou um pedido de prisão preventiva e de difusão vermelha da Interpol.
A autoridade migratória argentina afirmou que Bolsonaro e sua família entraram no país perto de Foz do Iguaçu com documentos de viagem válidos e não enfrentaram impedimentos legais, e depois deixaram o país em um voo particular para o Equador, já tarde da noite. A versão veio na sequência de uma negativa anterior do gabinete do presidente Javier Milei de que ele tivesse entrado no país.
Em abril, com Flavio disputando voto a voto com Lula nas pesquisas, o Supremo Tribunal Federal abriu uma investigação criminal contra ele por causa de uma publicação nas redes sociais que associava o presidente ao tráfico de drogas. Em uma democracia em funcionamento, cabe a eleitores e à imprensa decidir se o ataque de um candidato a seu adversário é justo ou falso. Aqui, a questão virou caso de polícia, sob a supervisão do ministro Alexandre de Moraes, que depois rejeitou os pedidos da defesa para ouvir Lula e outras testemunhas, sob o argumento de que o acusado não pode dirigir o rumo do inquérito.
O pai de Flavio, Jair Bolsonaro, cumpre uma pena de 27 anos por tentativa de golpe, e seu irmão Eduardo foi condenado a mais de quatro anos de prisão por coação. Ambos os casos terminaram em penas de prisão, e um homem que vê sua família passar pelo mesmo sistema pode concluir, com razão, que esperar pelo devido processo legal era um risco que ele não podia correr.
A sequência de eventos sugere um sistema que perdeu a capacidade de tolerar a dissidência e trata lideranças de oposição como problemas a serem eliminados.
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