Alemanha e França pressionam por instrumento da UE que pode excluir a China do mercado único
O chanceler Friedrich Merz e o presidente Emmanuel Macron pediram a Bruxelas que acelere a aprovação de um novo instrumento comercial, segundo a Bruegel
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Alemanha e França estão finalizando uma ofensiva conjunta por um instrumento comercial da União Europeia que poderia bloquear empresas chinesas no mercado único do bloco, segundo o analista Noah Barkin, do Rhodium Group, em sua newsletter no Substack. Ele afirma que os dois governos querem que a Comissão Europeia acelere o instrumento, possivelmente reformulando o Instrumento Anticoerção existente para que ele possa ser acionado por uma minoria de bloqueio, e não por uma maioria qualificada positiva entre os Estados-membros.
Uma carta do chanceler Friedrich Merz e do presidente Emmanuel Macron à presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, sustenta que o atual conjunto de ferramentas de defesa comercial da UE já não é adequado à sua finalidade, segundo uma análise da Bruegel. A carta pede uma ferramenta semelhante à Seção 301 da legislação dos EUA, capaz de restringir ou cortar o acesso ao mercado quando um parceiro comercial provoca o que ela chama de distorções comerciais graves e sistemáticas, e propõe que ela seja ativada pela comitologia, a menos que uma maioria qualificada dos Estados-membros se oponha, segundo a Euronews. A Bloomberg informa que a ferramenta poderia afetar o acesso de empresas chinesas a um mercado de bens e serviços comercializados de US$ 8 trilhões.
O Ministério do Comércio da China advertiu que responderá com firmeza caso a UE imponha restrições a empresas ou produtos chineses, afirmando que tal medida minaria a confiança mútua e atrapalharia as negociações comerciais, segundo a CNBC. Um porta-voz do ministério classificou o plano, em separado, como uma medida protecionista e unilateral que se voltaria contra a própria UE e desestabilizaria as cadeias globais de suprimentos, segundo o Global Times. Os líderes europeus devem discutir o tema na reunião do Conselho Europeu nos dias 15 e 16 de outubro, depois que o Comissário de Comércio, Maroš Šefčovič, apresentar aos embaixadores sua recente visita a Pequim, segundo a EU Insider.
A ofensiva reacende um confronto sobre acesso a mercados que parecia ter se aliviado no início deste mês, quando Šefčovič descreveu ganhos negociados em terras raras, autopeças e azeite de oliva, em vez de novas restrições. Ela também vai além das cotas e limites específicos para o setor automotivo que a Alemanha vinha defendendo apenas um dia antes. O momento é desfavorável: ela surge enquanto a zona do euro já lida com disputas orçamentárias entre os Estados-membros e um alerta da Comissão sobre a acessibilidade da energia, o que deixa menos espaço para absorver um novo impasse com Pequim sem que ele afete as expectativas de crescimento.
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