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A capacidade de Wall Street de ignorar o choque político no Brasil ontem, com o Dow e o Nasdaq fechando em alta mesmo com a Bovespa registrando seu pior dia desde 2020, volta a ser testada nesta madrugada por um acúmulo mais denso de riscos geopolíticos que abrange Ucrânia, Golfo e o setor automotivo europeu.
A Rússia lançou 16 mísseis balísticos e mais de 280 drones contra a Ucrânia nesta madrugada, segundo o presidente Zelenskiy, que afirma que atrasos no fornecimento ocidental de sistemas de defesa aérea estão "ajudando diretamente a Rússia". Putin teve conversas telefônicas com Stubb, da Finlândia, e com Stoere, da Noruega, sobre o conflito, confirmou o Kremlin, enquanto Merz, o alemão, alertou que seria "absolutamente inaceitável" que EUA, Rússia e China chegassem a qualquer entendimento sem a Ucrânia à mesa. Em separado, a Arábia Saudita conteve um incêndio perto do polo petrolífero de Ras Tanura após um ataque e emitiu um alerta de perigo para Najran e Khamis Mushait, mesmo com a expectativa de que a OPEC+ mantenha estáveis as metas de produção em sua reunião de domingo.
A tensão industrial da Europa aparece no setor automotivo: as ações da BMW, da Volkswagen e da Stellantis recuaram depois que a Mercedes-Benz reduziu sua projeção de margem ajustada sobre vendas para o negócio de carros, para 2-3%, e o diretor financeiro da Porsche disse não ter conhecimento de nenhuma conversa mais ampla sobre alívio de tarifas dos EUA para a Volkswagen, partindo do pressuposto de que as tarifas seguirão em vigor. A confiança do consumidor na França caiu ao menor nível desde junho de 2013, e o spread de rendimento dos títulos de 10 anos entre França e Alemanha ampliou-se em 6 pontos-base, para 160, ambos sinalizando aprofundamento do desconforto na zona do euro. Já o Ministério das Relações Exteriores da China pediu que a UE não "abuse de instrumentos de defesa comercial" enquanto Bruxelas avalia novas medidas comerciais, e o rendimento dos títulos do governo chinês de 5 anos caiu para uma mínima recorde.
Diante desse pano de fundo, o pré-mercado ainda mostra focos de força ligados aos balanços de ontem. A Ferrovial sobe 5,2% para US$ 52,97, a Credo Technology avança 4,5% e a Cadence Design sobe 3,0% após elevar sua orientação, somando-se a ganhos da EPR Properties, da Woodward, da Navient e da SK hynix. As vendas do iPhone da Apple na Índia teriam caído até 30% durante a temporada de festas, por causa de preços mais altos e promoções mais fracas, e a Meta Platforms recuou 0,5% no pré-mercado após precificar uma oferta de ações.
A sessão desenha um contraste entre a força específica das empresas, liderada por nomes ligados à infraestrutura de IA e a chips, e um pano de fundo geopolítico que se amplia em vez de se estreitar, das falhas na defesa aérea da Ucrânia à segurança energética no Golfo e aos dados fracos do setor automotivo e do consumo na Europa.
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