Lescure diz que todas as medidas do orçamento seguem abertas a negociação
Os comentários do ministro francês mantêm o processo fiscal em aberto, em vez de encerrá-lo.
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O ministro francês Lescure afirmou que todas as medidas da proposta orçamentária do governo continuam abertas a negociação, deixando indefinido o formato de qualquer eventual acordo.
A declaração vem depois de uma sequência de alertas fiscais. A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, disse ao La Croix que o endividamento da França, próximo de 120% do PIB, é estruturalmente grave e não tem um caminho claro de redução. O prêmio de rendimento dos títulos franceses de 10 anos em relação aos alemães subiu 5 pontos-base, para 124 pontos-base, na quarta-feira, e o spread equivalente da Itália superou 100 pontos-base pela primeira vez desde março. A inflação francesa de setembro ficou em 3,4%, acima das projeções, com os preços caindo menos do que o esperado na comparação mensal. O ouro subiu 0,55%, para US$ 382,94, na quinta-feira, com a pressão fiscal da França citada, ao lado da queda dos rendimentos do Tesouro americano, como fator de demanda por ativos de proteção.
A leitura de Lescure não resolve a aritmética do déficit que impulsionou esses movimentos, nem altera a avaliação de Lagarde sobre a trajetória da dívida francesa. Ao longo deste ciclo, alertas fiscais e ações de agências de classificação de risco ampliaram os spreads franceses e pressionaram os rendimentos sem transbordar para os títulos longos do Tesouro americano, e esta declaração soa mais como um sinal sobre a margem para negociação do que como um fato novo sobre o caminho fiscal da França. Sem um acordo concreto ou um colapso das conversas, é provável que os investidores a tratem como um elemento procedimental, e não como decisivo para a precificação da dívida francesa.
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