Jefferson diz que o Fed deixará os dados guiarem o próximo movimento de juros, sem pressa
O vice-presidente do Fed, Philip Jefferson, afirma que o banco central segue comprometido com a inflação de 2% e deixará os dados que chegarem orientar seu próximo movimento de juros.
O vice-presidente do Federal Reserve, Philip Jefferson, disse que o banco central segue totalmente comprometido em levar a inflação de volta à meta de 2% e que as decisões futuras de juros serão guiadas pelos dados. Ele afirmou que o Fed pode levar mais tempo antes de seu próximo movimento, argumentando que esperar por mais dados permitirá uma decisão melhor.
As declarações repetem o que Jefferson disse um dia antes, quando também sinalizou que os formuladores de política monetária podem precisar de mais tempo antes de decidir seu próximo passo. Elas reforçam o sinal de manutenção que os mercados já haviam extraído daquela fala anterior.
Os dados por trás dessa cautela têm sido mistos. A folha de pagamentos dos EUA cresceu 90 mil em setembro, superando a projeção de 38 mil e ficando acima do ganho de 75 mil de agosto. No mesmo dia, os pedidos semanais de seguro-desemprego caíram para o menor nível desde julho. A inflação core do PCE do segundo trimestre ficou em 0,3%, muito abaixo dos 3,6% esperados e revisada para baixo em relação à leitura inicial de 3,3%. Os traders reduziram as apostas em nova alta de juros para outubro após esse dado mais fraco do PCE, e a probabilidade de um movimento em outubro caiu para 50-50, ante 70% antes. O dólar se fortaleceu, levando o euro para baixo, a US$ 1,1312, seu nível mais fraco desde maio de 2025.
Os juros dos títulos do Tesouro de longo prazo e as taxas hipotecárias já precificaram uma trajetória de juros mais firme. A taxa do financiamento imobiliário de 30 anos com juros fixos subiu para 7,3%, sua maior marca desde novembro de 2023, e as solicitações de financiamento imobiliário caíram 6,0% na semana encerrada em 25 de setembro, uma queda mais acentuada que o recuo de 1,5% da semana anterior.
As falas de Jefferson mantêm viva a divisão dentro do Fed. Dirigentes de linha dura, entre eles Michael Barr e Austan Goolsbee, defendem que o banco central deve tolerar o desconforto dos mercados para atingir a meta de 2%, enquanto os traders passaram de precificar três altas para uma divisão equilibrada sobre uma ação em outubro. Com os custos de empréstimo de longo prazo já refletindo um caminho mais firme, o próximo relatório de inflação ou de emprego deve decidir qual visão prevalece.
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