China diz que novas compras de produtos agrícolas dos EUA dependem de cortes recíprocos de tarifas entrarem em vigor
Pequim diz que ainda está aberta a comprar mais produtos agrícolas americanos, mas só a soja está no ritmo certo, e a vitória democrata nas eleições de meio de mandato levanta dúvidas sobre a capacidade de Washington de cumprir o prometido antes da cúpula da APEC.
O Ministério do Comércio da China afirmou nesta quinta-feira que só vai ampliar as importações de produtos agrícolas dos Estados Unidos quando os cortes tarifários acordados, que abrangem US$ 30 bilhões em mercadorias de cada lado, estiverem em vigor. A porta-voz Huang Ling classificou o comércio agrícola como uma parte vital da relação. Ela pediu que Washington ajude a reduzir tarifas, aliviar barreiras não tarifárias e ampliar o acesso ao mercado.
Os cortes fazem parte do Board of Trade, anunciado após a visita de Estado de Xi Jinping aos EUA em setembro. O acordo veio com uma lista de mercadorias incluídas, mas as alíquotas menores não entraram em vigor imediatamente. Na segunda-feira, o negociador comercial Li Chenggang se reuniu com uma delegação agrícola americana para discutir o tema.
Até agora, só a soja está se movendo. A Casa Branca diz que Pequim se comprometeu com pelo menos 25 milhões de toneladas de soja americana por ano até 2028, além de mais US$ 17 bilhões anuais em outros produtos agrícolas, reduzidos para 2026. Um trader que pediu para não ser identificado disse que cerca de 70% da meta de soja deste ano já está comprada e que o restante provavelmente será concluído até o fim do ano. O avanço nos US$ 17 bilhões tem sido lento, o que o trader atribuiu à espera da China pelos cortes tarifários. A condição do ministério diz o mesmo publicamente.
Pequim não está amolecendo em todas as frentes. O ministério anunciou nesta quinta-feira que vai prorrogar por mais cinco anos as medidas antidumping compensatórias sobre importações americanas de n-Propanol, um insumo industrial usado em embalagens. Palavras conciliatórias sobre comércio agrícola, somadas à prorrogação de uma sobretaxa, sugerem que Pequim pretende manter seus próprios instrumentos comerciais em jogo.
O momento é desfavorável para Washington. O Partido Democrata venceu as eleições de meio de mandato desta semana por ampla margem. Analistas dizem que isso pode complicar as negociações antes da Cúpula de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, no fim deste mês, porque aumenta as dúvidas sobre a capacidade de a administração Trump cumprir o que promete.
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